Naufrágio mata noventa e oito pessoas e dezoito continuam desaparecidas em Nampula
Por | António César
Noventa
e oito pessoas mortas, sete em estado grave dos catorze sobreviventes e dezoito
desaparecidos, é o resultado de um naufrágio de uma embarcação ilegal para
transporte de pessoas no domingo, 7 de Abril, na praia de Kissanga, no distrito
da Ilha de Moçambique, província de Nampula.
O
barco de pesca transportava cento e trinta pessoas, entre adultos e crianças, que
estavam a fugir do surto de cólera no posto administrativo de Lunga, em
Mossuril, com destino a Kissanga, povoado da primeira capital de Moçambique, depois
de desinformação sobre a doença, que está a causar mortes.
Silvério
Nauaito, administrador da Ilha de Moçambique, disse que até ao momento apenas
doze pessoas é que sobreviveram ao incidente lacustre fluvial, sendo que está a
se fazer trabalhos para encontrar os restantes passageiros da embarcação.
Nauaito,
explicou que as autoridades de Administração Marítimas e outros organismos
continuam a fazer buscas para localizar os desaparecidos ao largo das águas e
da orla marítima entre Ilha de Moçambique e o Posto administrativo de Lunga,
distrito de Mossuril.
Segundo
o administrador da Ilha de Moçambique, um outro grupo de membros do governo, estão
no terreno e junto das famílias enlutadas por forma a prestar apoio nos
funerais, que estão a se realizar desde esta segunda-feira, 08 de Abril, e
outras necessidades, uma vez que há chefes de família que igualmente pereceram.
Silvério
Nauaito, avançou que o barco que naufragou não estava habilitado para o
transporte de pessoas. «Trata-se de um barco de pesca e que não estava em condições
de transportar pessoas e ainda por cima aquele número».
Esclareceu
que «eram 130 pessoas no barco e desses sabemos que 98 já perderam a vida mas
também sabemos que cerca de 14 pessoas deram entradas nas nossas unidades
sanitárias», explicou.
Já
o Secretário de Estado da província de Nampula, Jaime Neto, indicou como
principais causas que determinaram o naufrágio, a utilização de barco
inapropriado para o transporte de passageiros e carga e a superlotação da
mesma.
Jaime
Neto, acrescentou que a maioria dos passageiros viajavam para a Ilha devido ao
pânico causado pela desinformação sobre o surto de cólera. «Maior parte destas pessoas estavam a fugir de Lunga
para a Ilha de Moçambique com medo de serem contaminadas pela cólera, que tem
afetado a região».
Entretanto,
a administradora marítima, Fahara Luís, que também confirmou a morte das
pessoas, levantou a hipótese de ondas gigantes terem fustigado a embarcação e
provocado a tragédia. «Nestes dias tem registado mau tempo na zona costeira,
principalmente no norte do país».
Mateus
Magala, Ministro dos Transportes e Comunicações e o Governador de Nampula, Manuel
Rodrigues, deslocaram-se a aquele distrito da província para confortar e
acompanhar de perto o processo de assistência as famílias que perderam seus
parentes e as acções de busca de desaparecidos.
Magala,
que visitou as vítimas sobreviventes do naufrágio no centro de saúde de Lumbo,
na Ilha de Moçambique, disse que a tragédia remete ao governo um estudo sobre o
nível de segurança nos transportes marítimos ao longo da costa do país.
Numa
interacção com as vítimas Mateus Magala, endereçou palavras de conforto e
garantiu que o governo está a assistir a situação de cada família e que ao
mesmo tempo se preocupa com estratégias de melhorar a segurança marítima na
região para que algo do género não volte a acontecer.
De
acordo com Magala «o que se verificou é que houve sobreviventes, num número de
29 pessoas e a ser verdade a informação de 130 pessoas que estavam a bordo,
podemos dizer que há três pessoas desaparecidas. Aquilo que apuramos são 127
pessoas porque temos o registo de 98 mortos».

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