Crónica: Escola sem carteira, que educação se espera?

Por Michael César
 
Caro leitor, saudações.
Ultimamente, a educação está na boca das pessoas não por bons motivos, aliás houve tempos em que no nosso país, a educação foi motivo de orgulho. Alunos iam a escola para ter aulas a s­ério, o que não se pode dizer dos dias de hoje.
As escolas estavam apetrechadas ao m­­áximo, as bem vidradas, com certeiras, vedação em condições, os campos para prática do desporto aceitável. Estava minimamente apresentável para que o aluno tivesse aulas em um ambiente condigno.
O mais importante ainda era que tudo que a escola pedia para contribuir era para algo importante e que se via. Logo a olho nu notava-se que algo mudou. Não se pedia contribuições caras como nos dias de hoje.
Os alunos iam a escola com certeza que vai sentar no seu lugar, se não tinha um espaço para sentar era porque o número de alunos aumentou ou porque uma sua carteira ou acento estragou mas que não levava muito tempo que logo era substituído.
O comportamento dos alunos era diferente dos de hoje. Tinham receio em se intrometer ou brigar com os professores, os professores eram praticamente considerados de pais biológicos. Os encarregados de educação ficavam relaxados quando os filhos estivessem na escola. Eles tinham certeza que estavam a ser bem-educados.
O que se pode dizer dos dias de hoje? Deixo para a vossa reflexão. Hoje vim abordar sobre a situação das carteiras em algumas escolas da cidade de Nampula e o comportamento dos educandos.
Há escolas que não têm carteiras nas salas de aula, apenas existe para os professores. É normal os alunos terem aulas debaixo de árvores, sentados no chão ou na pedra. O encoste para escrever são mesmo as pernas ou uma madeira.
Os alunos que tem aulas no quintal do escola e os alunos que estão na sala feito de cimento ou de barro, não tem qualquer tipo de diferença, apenas pelo facto de uns se protegerem de sol e chuva e outros não.
A situação agrava-se pelo facto de haver alunos indisciplinados, que estão no pátio a fazer barrulho a interromper os colegas que estão a tento as aulas. Quando estes são repreendidos pelo professor ameaçam agredir.
Os professores têm medo de ir dar aulas até nas escolas primárias da cidade de Nampula, um comportamento que eu pensava que fosse apenas nas escolas secundárias onde tem meninos mais crescidos. Até onde chegamos?
Fiquei muito preocupado quando numa reunião de turma de divulgação de notas de um dos meus filhos ouvir os responsáveis da escola pedir que os alunos devessem contribuir com 100 meticais para construir salas de aula. Não seria da responsabilidade do ministério da educação?
Na pior das hipóteses numa escola com mais perto de cem alunos em cada turma, supostamente cada classe com três turmas, em cálculos rápidos, estamos a falar de 210 mil meticais em contribuição da primeira a sétima classe. E que tal se for números reais? Mais não disse.

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